sábado, 31 de dezembro de 2011

Parábola da Candeia

A PARÁBOLA DA CANDEIA

            “E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz.
                Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz.
                Vede pois como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter, lhe será tirado.”
                                                                              (Lucas: cap. 8, v. 16-18)


            O mundo já foi contemplado com três grandes revelações: a primeira, quando do advento de Moisés; a segunda, com a vinda de Jesus Cristo e, a terceira, com a revelação do Espiritismo, ou a vinda do Espírito Consolador.
            Quando Moisés levou a cabo a primeira, aqueles que o sucederam aureolaram-na com tantos aparatos exteriores e com tantos formalismos inócuos, que os seus ensinamentos se tornaram obscuros. Por isso, Deus em Seu infinito amor, enviou Seu próprio Filho para trazer a Segunda revelação, nova luz que passou a iluminar os horizontes do mundo; contudo, segundo afirma o evangelista João, logo no início do seu Evangelho, “os homens temeram a luz porque suas obras eram más.”
            O Pai de misericórdia e amor, condoído dos homens, que ainda e dessa vez impregnaram a Doutrina do Cristo com sistemas inócuos e incompatíveis com a verdade, enviou o Espírito de Verdade a fim de restaurar as primícias dos ensinamentos do Meigo Rabi da Galiléia.
            Veio o Espiritismo e os homens devem agora difundir as luzes de que essa Doutrina dimana, pois a sua finalidade básica é de afugentar da Terra as trevas da ignorância e do obscurantismo, colocando a luz sobre o velador, para que ela, como uma cidade edificada sobre uma montanha, seja vista por  todos.


            Não se deve jamais, consoante a recomendação de Jesus, acender uma lâmpada e colocá-la sob um vaso, porém, deve-se colocá-la sobre o velador, de forma a poder ser vista por todos.
            Esse ensino de Jesus objetiva esclarecer que, qualquer pessoa que adquirir conhecimentos em torno de uma verdade, ainda que seja em pequena escala, não deverá guardar a luz desse conhecimento apenas para si, mas procurar divulgá-lo a fim de que todos venham a haurir dos seus benefícios.
            Corroborando ainda mais a parábola, em outra parte do Evangelho, afirmou Jesus: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos Céus.”(Mateus 5:16)
            Assim como não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte, também resplandecerá a sua luz sobre a Terra, e sobressairá o homem compenetrado dos seus deveres, que se edificou moral e espiritualmente. Por isso, disse Jesus: “Vós sois a luz do mundo”, referindo-se aos apóstolos, no entanto, tendo Ele dito que deveríamos nos tornar perfeitos, como perfeito é o Pai Celestial, é óbvio que todos nós temos o potencial para nos transformar em luzes do mundo.
            Na Parábola da Candeia, Jesus Cristo preceituou a necessidade de darmos guarida às Suas recomendações, tornando-nos obreiros atuantes e de decisão inquebrantável, projetando-nos, não apenas pelas palavras, mas sobretudo pelos atos. É importante saber, entretanto, que para adquirirmos essa luz interior, há necessidade de nos desvencilharmos das viciações contraídas no desenrolar das vidas pretéritas e , isso se fará, através das reencarnações sucessivas que Deus, por excesso de misericórdia, nos concede.
            Existe muita gente guardando, avarentemente, apenas para si, os conhecimentos que adquirem, não tolerando qualquer idéia de espargi-los. Isso sucede com os homens, em todos os campos de atividades humanas. Muitos passam seus conhecimentos apenas para seus filhos ou familiares, não concebendo a idéia de transferi-los a um estranho.
            Guardar um ensinamento de ordem espiritual apenas para si, incita danos para o Espírito, uma vez que o Mestre preceituou na parábola que “não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz”. De nada adianta uma pessoa que conheceu determinada verdade, guardá-la somente para si, pois o tempo se encarregará de fazer com que ela seja manifesta para todos.
            Nos séculos passados, muitas coisas erradas foram apregoadas como verdades fundamentais, e muitos mentores religiosos, com o objetivo de emprestar-lhes maior autoridade, não trepidaram em rotulá-las como “revelação do Espírito santo”. Eram condenados às fogueiras os que ousavam delas discordar. Nos tempos modernos, já não poderá prevalecer essa sistemática, imposta pelo processo do “ferro e fogo”.
            Jesus Cristo veio trazer à Terra um manancial de verdades irretorquíveis, entretanto, essa verdades atentavam contra as inverdades apregoadas pelos doutores da Lei de sua época, e Ele teve que carregar pesada cruz até o cimo do Calvário, onde foi crucificado.
            Deveremos, pois, propugnar para que as luzes dos nossos conhecimentos sejam manifestas a todos. Importa sermos como uma cidade edificada sobre um monte, para que as virtudes e a luz, que espargem de nós, sejam vistas e passem a beneficiar a todos.
            Complementando os ensinamentos contidos na parábola de Candeia, ensinou-nos o Mestre: “Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grande serão essas trevas. A candeia do corpo são os olhos, de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Os vossos olhos refletem as trevas ou as luzes que residem dentro de vós.”  
            Os nossos, olhos, por sua vez, refletem tudo aquilo que reside no recesso de nossas almas e, como decorrência, devemos procurar nos enquadrar nos ensinamentos dos Evangelhos, processando dentro de nós a reforma íntima, que Jesus Cristo simbolizou como sendo a conquista do Reino dos Céus.
AS MARAVILHOSAS PARÁBOLAS DE JESUS – Paulo Alves Godoy


Comentário de Kardec

            “Admiramo-nos de ouvir Jesus dizer que se não deve pôr a luz debaixo do velador, quando ele próprio tantas vezes esconde o sentido de suas palavras sob o véu da alegoria, que nem todos podem entender. Porém ele se explica, dizendo aos apóstolos: Falo por parábolas, porque eles não  estão no estado de compreender certas coisas. Eles vêem, remiram, ouvem , mas não entendem. Dizer-lhes tudo seria inútil por enquanto, mas a vós digo, porque dado vos foi compreender estes mistérios. Procedia, portanto, como o povo, como se faz com crianças cujas idéias ainda não se desenvolveram. Desse modo, indica o verdadeiro sentido da sentença: “Não se deve pôr a candeia debaixo da cama, mas sobre o velador, a fim de que todos os que entrem a possam ver.” Tal sentença não significa que se deva revelar inconsideradamente todas as coisas. Todo ensinamento deve ser proporcionado à inteligência daquele a quem se queira instruir, porquanto há pessoas a quem uma luz por demais viva deslumbraria, sem as esclarecer.
            Há homens de valor geral como individual. As gerações têm a sua infância, juventude e maturidade. Cada coisa deve vir a seu tempo e o grão semeado fora da época não frutifica. Mas, o que a prudência aconselha calar momentaneamente, cedo ou tarde há de ser descoberto, porque, chegados a um certo grau de desenvolvimento, os próprios homens buscam maiores luzes, sentindo que o obscuridade os acabrunha. Tendo-lhes dado Deus a inteligência para que compreendam e para se guiarem nas coisas da Terra e do Céu, eles querem racionalizar a sua fé; é então que a luz não deve ser posta debaixo do velador, porque sem a luz da razão a fé se enfraquece.
            Na sua previdente sabedoria, só gradativamente a Providência revela as verdades, à medida que a humanidade vai ficando madura para recebê-las; ela os mantém de reserva e não sob o velador. Mas os homens que as possuem, não as ocultam em geral aos olhos do vulgo senão para dominar. São esses que realmente põem a luz debaixo do velador. É assim que todas as religiões têm tido seus mistérios, cujo exame interditam. Mas, ao passo que essas religiões iam ficando para trás, a Ciência e a inteligência avançaram e romperam o véu misterioso. Havendo-se tornado adulto, o vulgo entendeu de penetrar o fundo das coisas e eliminou de sua fé o que era contrário à observação.
            Não podem subsistir mistérios absolutos nesse terreno, e Jesus está com a razão quando afirma que não há nada secreto que não deva ser conhecido. Tudo o que está oculto será descoberto um dia, e o que o homem ainda não pode compreender sobre a Terra, lhe será progressivamente revelado nos mundos adiantados, na proporção em que ele se purificar. Aqui na Terra, ainda se perde no nevoeiro.
            Pergunta-se que proveito o povo poderia tirar dessa infinidade de parábolas, cujo sentido estava oculto para ele. Deve notar-se que Jesus só se exprimiu em parábolas sobre as questões, de alguma maneira abstratas, da sua doutrina, no entanto que, no que se refere a caridade com o próximo e à humildade com condição cardeal do salvamento, foi bem explícito e sem ambigüidades. Assim devia ser, porque aí estava a regra de conduta, regra que todo o mundo precisava  compreender para praticar, e era o essencial à multidão ignara, à qual ele se limitara a dizer que era isso o essencial para ganhar o Reino dos Céus. Sobre outras questões, só desenvolvia os seus pensamentos para os discípulos. Estando eles mais adiantados, moral e intelectualmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos. Foi por isso que disse: Ao que já tem, ainda mais se dará, e terá em abundância. Todavia, mesmo com os seus apóstolos, tornou-se nebuloso em alguns pontos, cuja inteligência completa ficou reservada para tempos ulteriores. Foram esses pontos que deram ensejo a interpretações bem diversas, até que a Ciência de um lado e o Espiritismo de outro, vieram revelar as novas leis da natureza, que esclareceram o verdadeiro sentido.
            O Espiritismo vem atualmente lançar a sua luz sobre uma porção de pontos obscuros, mas não o faz inconsideradamente. Os Espíritos procedem, nas suas instruções, com admirável prudência. É sucessiva e gradualmente que eles têm abordado as diversas partes já conhecidas da doutrina, e é assim que as demais partes serão reveladas no futuro, à medida que chegue o momento de fazê-las sair da obscuridade. É claro, se os abordassem por completo em começo, não seriam acessíveis senão a um pequeno número, apavorando mesmo aqueles que não estivessem preparados e prejudicariam a sua propagação. Porém,  se os Espíritos não revelam tudo ostensivamente, não é que haja na doutrina mistérios reservados a privilegiados, nem porque, tendo cada coisa de vir com oportunidade, deixam chegar a época da madureza e da  divulgação de determinada idéia antes de apresentarem outra, e aos acontecimentos a tarefa de lhes preparar a aceitação.
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. XXIV – 4-7
 

LÂMPADAS, RECEPTORES E TRANSMISSOR

            Recebem o raio luminoso e se inebriam de imediato com as impressões visuais transformadas em imagens que se gravam nos recônditos da memória, impressas em cor para serem evocadas logo se acionem os mecanismos próprios capazes de selecioná-las e retirá-las dos arquivos neuroniais.
            Penetrados pela sonora vibração, que deambula através da câmara acústica, classificam os ruídos e os discriminam para gravá-los em sutil engrenagem, na qual perduram as impressões transformadas em mensagens inapagáveis nos fulcros profundos do Espírito.
            Acionado pelo mecanismo automático dos centros especializados, converte idéias em música e dispara dardos orais ou veludosa melopéia que faculta comunicação, gerando singular meio de entendimento ou desgraça, conforme a direção aplicada.
            Lâmpadas são os olhos derramando claridade pela senda por onde correm os rios dos dias, acionando as alavancas do movimento humano na extensão do progresso.
            Receptores são os ouvidos, por cujos condutos as vozes da vida atingem o Espírito eterno, momentaneamente revestido pela matéria, de forma a ajudá-lo no crescimento e na evolução.
            Transmissor eficaz é a boca encarregada de exteriorizar as impressões que transitam dos centros pensantes ao comércio exterior da vida.
            Aparelhos preciosos de que se encontram investidos os homens são inestimáveis tesouros da concessão divina, cuja valorização merece a cada instante maior soma do capital de amor para que, através deles, o Espírito aprenda a ver e a marchar, saiba ouvir e guardar, se disponha a sentir e expressar consubstanciando os ideais enobrecedores na elaboração da paz íntima.
            Nem todos, porém, que vêem, conseguem com elevação selecionar o que enxergam e assimilar o que devem.
            Muitos que ouvem não se comprazem ainda em fixar o que é nobre, olvidando o que é espúrio e vulgar para construir sabedoria pessoal.
            Poucos apenas falam na multidão dos que usam a palavra, de forma eficiente, sem conspurcarem os lábios, macularem a própria ou a vida alheia, derrapando, não raro, para as figurações deprimentes da censura e da crítica indevida, aspirando em decorrência os vapores tóxicos da impiedade e da insensatez.


            Mantém acesas as lâmpadas dos olhos e contempla tudo com amor, a fim de que as belezas povoem as paisagens do teu pensamento.
            “A candeia do corpo são os olhos”.
            Liga os receptores somente quando as convenientes mensagens sonoras produzam vibrações de nobres sinfonias nos teus painéis mentais, de modo a possuíres permanente festa no espírito, não obstante as tormentas exteriores que te cerquem.
            “Quem tiver ouvidos ouça”.
            Externa apenas o que possa ajudar e silencia tudo aquilo que aguilhoa e martiriza, pois o homem superior é considerado não pelo muito que diz, mas pelo conteúdo enobrecedor do que carregam suas palavras.
            “Porque a boca fala o de que está cheio o coração”.
O olhar de Jesus dulcificava as multidões, Seus ouvidos atentos descobriam o pranto oculto e identificavam a aflição onde se  encontrava, e Sua boca bordada de misericórdia somente consolou, cantando a eterna sinfonia da Boa Nova em apelo insuperável junto aos ouvidos dos tempos, convocando o homem de todas as épocas à epopéia da felicidade.
Procura fazer o mesmo com a tua aparelhagem superior.

FLORAÇÕES EVANGÉLICAS – Joanna de Ângelis – Divaldo Pereira Franco – cap. 42




TEMA
INCENTIVO INICIAL
ATIVIDADE
Divisão da verdade
(do conhecimento)
Apresentar saco de papel com rosto desenhado, com furo nos olhos. Colocar dentro dele um foco de luz (uma lanterna ou luminária). Apagar a luz da sala.
Questionar: alguém daqui tem luz que sai pelos olhos? Até o final da aula todos vocês vão descobrir que sim.
Escrever o quadro todas as verdades que podemos dividir (as crianças falam e uma delas escreve).
Pedir às crianças desenharem uma carinha num saco de papel (os olhos serão recortados). O saco deverá caber na cabeça da criança.







Texto explicativo retangular com cantos arredondados: Quando estamos alegres, brincamos felizes, nossas mamães dizem: hoje você está cheio (a) de energia! É  a luz da alegria que estou dividindo com as pessoas que estão ao meu redor. Quando ajudo alguém, essa pessoa fica feliz e eu me sinto feliz! É a luz da felicidade. Quando um colega não sabe uma matéria e eu o ensino, ele fica agradecido. Cada um vai dizer como podemos fazer a nossa luz brilhar (dividindo o bem que possuímos). 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário